Retomando o post anterior e dando continuidade à análise dos processos envolvidos na escolha do caminho profissional, vamos ver como fazer a diferença ou simplesmente fazer diferente para se destacar no mercado.
Vamos falar das características do empreendedor e como esse indivíduo se diferencia do resto da mão de obra disponível.
Vamos investigar, através de um exemplo prático, como aproveitar ao máximo suas habilidades no dia a dia e maximizar resultados.
No site do Empretec, SEBRAE-RJ, http://empretec.sebrae.com.br/2010/05/05/as-dez-caracteristicas-do-empreendedor/, podemos acessar as dez características do empreendedor:
- Busca de oportunidade e iniciativa (se antecipar aos fatos e criar novas oportunidades de negócios)
- Persistência (enfrentar os obstáculos decididamente)
- Correr riscos calculados (assumir desafios ou riscos moderados e responder pessoalmente por eles)
- Exigência de qualidade e eficiência (decisão de fazer sempre as expectativas de prazos e padrões de qualidade)
- Comprometimento (com o cliente e com o próprio empresário)
- Busca de informações (busca pessoalmente, consulta especialistas)
- Estabelecimento de metas (estabelece metas de longo e curto prazo mensuráveis)
- Planejamento e monitoramento sistemáticos (planeja e aprende a acompanhá-lo sistematicamente a fim de atingir as metas a que se propôs)
- Persuasão e rede de contatos (saber persuadir e utilizar sua rede de contatos atuando para desenvolver e manter relações comerciais)
- Independência e autoconfiança (busca autonomia em relação a normas e procedimentos para alcançar o sucesso)
É difícil dizer qual dessas características desponta como mais importante. Talvez não haja uma única característica que devamos elevar a tal posto. Talvez devamos entender que a combinação dessas dez características é o que constitui o indivíduo empreendedor.
Pode-se notar, no entanto, a crescente onda de indivíduos empreendedores. Aqueles que abrem seus próprios negócios, têm idéias inovadoras e as colocam em prática, vencendo desafios e obstáculos ao longo do caminho, aqueles que assumem riscos para investir num sonho, numa idéia que os faça se sentirem realizados.
Não por menos, nossa sociedade vem absorvendo cada vez mais esses indivíduos, caracterizando uma cultura inovadora e criativa, que investe e aposta no potencial empreendedor de seus cidadãos. Esse investimento ainda é tímido, porém, as próprias características empreendedoras forçam a sociedade a sustentar e investir cada vez mais nesses indivíduos.
Sem dúvida, seja qual for a escolha do indivíduo - seguir uma vida de empregado, tranqüilo e sem maiores responsabilidades exceto as atribuições de seu cargo ou abrir sua própria empresa e correr os riscos para alcançar seus objetivos -, a característica que deve ser relevada é a reflexão.
A capacidade de refletir sobre as escolhas, planejar seu caminho, vislumbrar as oportunidades de negócio e distinguir o joio do trigo, esta sim, a reflexão, deve ser elevada ao posto de característica mais importante para um indivíduo.
Sem a reflexão nenhum indivíduo será capaz de trilhar um caminho de sucesso e reconhecimento profissional. Refletir é um exercício que exige maturidade e habilidade de responder aos diferentes obstáculos do dia a dia. Saber reconhecer o erro para corrigi-lo e não cometê-lo novamente é certamente um efeito da reflexão sem barreiras.
COMO APROVEITAR AO MÁXIMO SUAS HABILIDADES
Saí para uma festa com alguns amigos e voltei para casa lá pelas quatro da manhã. Quando cheguei no condomínio, enquanto aguardava o portão abrir, notei que um dos porteiros me esperava ansiosamente.
Não entendi o que estava acontecendo e nem me perguntei muito mais.
Quando atingi o ponto onde estava em pé, ele fez um sinal como se quisesse falar comigo alguma coisa muito importante. Será que teria correspondência àquela hora?!
- O senhor pode me dar uma carona?! Perguntou-me o porteiro, daquela maneira que todas as pessoas fazem quando querem alguma coisa, usando de pretensa educação e se colocando numa posição de inferioridade.
Ora, senhor, eu?! Está certo que os cabelos grisalhos revelam certa idade, mas, senhor?! Além do mais eram quatro da madrugada, não dava para ver meus cabelos grisalhos!
Tiro dessa situação, à primeira vista ridícula, um aprendizado para a vida pessoal e, sobretudo, profissional.
Poderia ter agido de duas maneiras basicamente:
1. Poderia ter recusado a carona, informando-lhe educamente que considerava o pedido inapropriado.
Esta primeira reação revela alguns aspectos: primeiramente, certamente o porteiro iria pensar "mas que cara sovina", " não quer me dar uma carona", "o que custa"? Realmente, não custaria nada dar-lhe a carona.
Porém, como não me preocupo muito com o que os outros pensam, o que restaria dessa situação seria, simplesmente, a rejeição sentida pelo porteiro e a minha indignação incompreendida daquele pedido.
2. Poderia ter aceitado dar-lhe a carona e informado o porteiro do inconveniente pedido.
Foi essa, aliás, minha escolha. Refleti rapidamente sobre a primeira opção e achei que não seria entendido. Ao escolher a segunda opção, tive que decidir com agilidade o que diria para, além de não ser mal entendido, transmitir as razões de maneira clara e objetiva sobre o inconveniente.
Estendi-lhe o braço para abrir a porta do carro e disse para entrar no carro. Ao entrar, o porteiro agradeceu repetidas vezes, como num gesto automático para afastar qualquer sensação de estranhamento e desconforto.
No entanto, conduzi lentamente para ter tempo suficiente para explicar-lhe algumas coisas relativas àquela situação.
Comecei por me apresentar, perguntei seu nome, há quanto tempo trabalhava no condomínio, se estava gostando, se cumpria horários certos ou se os turnos mudavam. Sinceramente, as respostas não me interessavam. Eu queria fazê-lo se sentir confortável e aberto o suficiente para entender o que estava para lhe dizer.
Quando chegamos no ponto em que deveria deixá-lo, pedi para que me desse alguns segundos de sua atenção. Senti imediatamente aquele mal-estar com minha imposição. Porém, não poderia perder o momentum. Isso sim é aproveitar ao máximo suas habilidades.
Disse-lhe que, apesar de um pedido simples e honesto, ele não deveria pedir carona aos moradores. Nem tanto pela aproximação inapropriada, mas sim pela relação dele com o trabalho e seus deveres no cumprimento de sua função.
Ele pareceu fechar-se, física e mentalmente, sem entender por completa a minha mensagem.
Fiz questão de explicar-lhe que numa relação de trabalho e no exercício de sua função, ele deveria entender que eu sou o cliente que está pagando por seus serviços e que ele deveria saber do inconveniente e falta de propósito daquele pedido.
Ele se desculpou mais para sair rapidamente daquela situação do que pelo reconhecimento de seu erro.
Agradeci pela atenção e esperava que aquela conversa tivesse algum efeito positivo sobre sua conduta futura no ambiente de trabalho.
O que pode se tirar de uma situação como essa?
Sem entrar em maiores detalhes: essa situação nos mostra que a todo momento podemos ser abordados - seja no trabalho, seja na vida cotidiana - por pedidos e interjeições que inicialmente não compreendemos ou simplesmente não conseguimos acessar com a agilidade necessária as melhores respostas a essas situações.
Dessa forma, entende-se que a capacidade de interagir, transmitindo idéias, conceitos, condutas e comportamentos que consideramos apropriados ou inapropriados, é reflexo de nossa própria reflexão a respeito do que podemos tirar de cada situação da vida.
Aprenda, portanto, a observar suas habilidades e tire o maior proveito delas. Assim, não desperdice nenhuma situação, por mais estúpida que possa parecer, pois ela servirá de treinamento e aprendizado contínuo no exercício de suas habilidades.
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Vamos continuar investigando situações reais que revelam modos de aproveitar ao máximo nossas habilidades e, ainda, elucidar com mais profundidade as características empreendedoras que existem em todos nós.
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